Pausa do Glastonbury – “Lua Nova”

November 18, 2009 § 1 Comment

Se ser uma fan de Twilight serviu para alguma coisa nessa vida foi para me apresentar a muitas pessoas que agora posso chamar de amigos.

Uma dessas conheci em Londres. Brenda, uma americana casada com um ingles, criou o primeiro site de Twilight no Reino Unido (www.twilightnews.co.uk). Foi ela que me mandou uma mensagem anteontem perguntando se eu queria ir ver “Lua Nova” numa sessao especial realizada hoje.

Quando cheguei em Leicester Square – uma praca em Londres cercada por cinemas e onde acontecem todas as premieres, inclusive “Crepusculo” ano passado – uma surpresa: muitas adolescentes gritando loucamente. Achei que ia ser um evento ja, mas nao, era apenas a premiere de “Eu e Orson Welles”, filme novo do outro queridinho, Zac Efron.

Na entrada do cinema, Odeon, ja tinham muitos segurancas recolhendo cameras, celulares e ate iPods. O ambiente, com cerca de 1000 lugares, estava quase lotado. Aparentemente, tinha sido reservado para a premiere, mas ja que o filme teria que competir com mais 3 premieres na mesma semana, acabaram fazendo a tal Tour pela Europa e decidiram fazer uma sessao para os fans (nao que eu esteja reclamando).

A sessao estava prevista para comecar as 18h30. As 18h40, nos avisaram que estava atrasado porque a pessoa que foi convidada para apresentar estava atrasada. A gritaria comecou… Bem-informada como sou, sabia que o elenco principal (Rob, Kris e Taylor) estavam nos EUA, entao minha aposta estava em Michael Sheen ou Jamie Campbell Bower, ja que ambos sao ingleses e moram por aqui.

De fato, era para ser Michael Sheen, mas ele estava preso no trafico e acabamos ficando com Jamie, que agradeceu, falou que sem fans nao seriam nada, pediu desculpas por nao ser o Robert e desejou uma boa sessao. Apagam as luzes e as cortinas abrem. Nao preciso nem dizer que a gritaria foi intensa.

 O FILME.

Aos curiosos: melhor do que “Crepusculo”, que mesmo tendo seu valor, nao foi uma maravilha tecnica. Quem nao gosta do Jacob e nao gosta do livro “Lua Nova”, vai reclamar do filme por causa do ritmo do meio. A Kristen detonou no papel de Bella e o Robert melhorou de “Crepusculo” para “Lua Nova”.

A partir daqui comecam os spoilers, recomendo nao ler quem nao quiser ser “estragado” com um pouco mais de detalhe. Apesar de que os spoilers sao mais gerais e nao tao especificos em relacao a cenas e dialogos.

Os creditos de abertura dao uma sensacao bem mais de “estamos levando isso a serio”, o que achei otimo. O Chris Weitz realmente conseguiu puxar a serie para um lado mais serio, mesmo com as adolescentes gritando nos meus ouvidos.

A cada entrada do Robert no inicio do filme se ouvia gritos, assim como quando o Taylor aparece sem camisa. Acho que esse acaba ficando o maior problema do filme: nao tem como levar tanto a serio com o publico. A maior parte das criticas anda falando que tem muito homem semi-nu, obviamente eles nao leram os livros, onde sim, eles ficam semi-nus o tempo todo.

Em relacao a tecnica, o Chris dominou. Ele pode ter uma formacao mais classica e tradicional em comparacao aos angulos e enquadramentos loucos da Catherine, mas isso nao faz dele pior. Pelo contrario, ao inves de ficar agonizando com os angulos escolhidos, o filme flui visualmente e a fotografia e iluminacao ajudaram muito: saiu o tom azul total e entrou um tom natural e meio alaranjado. O frio azul dos vampiros ficou para “Crepusculo” e o quente do laranja veio para “Lua Nova”.

A direcao de arte e os figurinos estao melhores e a trilha sonora (excelente, eu nao tinha ouvido ainda) nao fica gritando “Oi oi sou a trilha sonora”. Ela entra no filme, fazendo parte do conjunto, talvez menos na parte da perseguicao da Victoria.

A cena do aniversario ficou muito boa e igual ao livro. Super dramatica, mas deixou de fora a conversa religiosa do Carlisle e Bella. Cortou um pouco toda a angustia de que “algo vai acontecer” e o Edward ja vem querendo terminar no dia seguinte. Por sinal, aos fans mais sensiveis se segurem, porque a cena do rompimento foi muito dramatica. Vale dizer que a Kristen nao me desanimou e o Robert conseguiu dar uma performance super sincera.

A Stephenie Meyer nao tem uma grande habilidade literaria, sejamos honestos. A sua tecnica nao eh das mais inovadoras, mas devo admitir que o jeito que ela decidiu retratar o periodo de “grande depressao” da Bella no livro me fez bater palmas. A versao visual do Chris acaba sendo tao impactante quanto: uma camera fica dando um 360 no quarto, com a Bella no centro, sem mudar de posicao ou expressao e apenas o que acontece na rua mudando.

Apesar de que a Kristen nao chora de verdade, nao senti falta disso tanto. Acho que chorar acaba sendo uma demonstracao de que existe um coracao ali e ele esta quebrado, enquanto que o fato dela estar realmente um zumbi e nao conseguir fazer nada e nao reagir a nada e olhar perdida para frente mostra que nao, o coracao dela nao esta mais ali. Vale dizer, os gritos dela sao de cortar o coracao e a interpretacao do Billy Burke como pai preocupado deu pena tambem, porem senti falta de mais cenas dos dois, que foram o ponto forte do primeiro filme.

Um grande problema do filme para os que nao gostam do livro (mas gostam da serie) eh a parte do Jacob. Eu nao gosto do Jacob, fato. Porem, adoro o livro porque a Bella amadurece e aprende a lidar com algo que todo mundo tem que lidar um dia: fins de relacionamentos. No entanto, mesmo com tantos homens semi-nus, quem espera ver o Edward na tela o tempo todo acaba sentindo, ainda mais porque a quimica de Kristen e Taylor nao chega perto da quimica dela com o Robert. Devemos agradecer a Catherine por ter colocado dois atores com tanta quimica juntos. Isso que salva para muitos dos que nao gostam dos livros, mas assistem o filme.

Eu nao senti tanto problema de ritmo, porque assim que a parte mais repetitiva (a Bella na casa dos Black, consertando as motos) acaba, entraram em cena os lobisomens. A transformacao deles ficou milhares de anos luz na frente dos efeitos especiais de “Crepusculo”. Apesar de ainda nao serem ideais, pelo menos nao sao motivo de risada mais. O “wolf pack” ficou bem amiguinho mesmo, tanto que eu nao conseguia discernir a diferenca de um para o outro…

Com relacao aos vampiros, devo dizer que o sotaque novo do Laurent nao foi tao bom. Sinto muito, mas o Edi nao sabe fazer sotaque frances. Fora isso, a cena toda do encontro dela com ele na clareira ficou fiel, inclusive a entrada dos lobos. Em relacao a Victoria, ela ganhou um pouco mais de espaco do que no livro, o cabelo esta mais vermelho e tchau, Rachelle, bem-vinda para “Eclipse”, Bryce. A interpretacao de Rachelle realmente nao eh nada demais.

Os Cullen ganharam o tanto de cena quanto eles tem no livro, entao nao espere muito, especialmente Rosalie, que acabou tendo um papel bem maior do que deveria em “Crepusculo” por conta da sua amizade com a Catherine. A Ashley Greene, tem uma entrada ainda mais aleatoria que a sua no primeiro filme, porem, ela continua sendo uma Alice perfeita, apesar de nao ser tao “irritante” quanto no livro.

Grande ganho do filme eh que ao contrario de “Crepusculo”, onde dialogos eram escarcos, “Lua Nova” compensa. Muitas frases do livro acharam seu lugar por aqui e apesar de que os maiores monologos acabaram ficando para tras, sua falta nao eh sentida.

Chris Weitz conseguiu realmente puxar uma intepretacao melhor do Robert, pois sinto muito, mas a atuacao dele na primeira metade do primeiro filme me decepcionou. Mas na realidade, apesar do que ouvimos em entrevistas, quem eh o centro do filme nao eh o Taylor, mas sim a Kristen, que nao fica para tras e entrega uma grande atuacao. Ela carrega o filme nos momentos mais parados e nao faz a gente esquecer o quanto a Bella ama o Edward e que sejamos sinceros: Jacob nao tem chance.

Portanto, todos ficamos felizes quando Jacob sai de cena e a Bella sai voando para resgatar o seu verdadeiro amor, algo que acontece com tanta naturalidade que nem se ve quando chega a hora de ir para a Italia.

Enquanto a ida nao foi tao longa e apreensiva quanto no livro, acaba ficando eh rapida demais (o que faz sentido por causa do tempo do filme e da estrutura). A cena do reencontro foi linda, mas faltou o dialogo do Romeu e Julieta, que tinha pontuado muito o livro. A cena do beijo foi estragada por uns efeitos de “dissolve” que o montador/diretor colocaram ali, nao precisava e arruinou o clima.

A batalha deu um grande impacto na cena tambem e teria ficado otima no livro. Palmas para Michael Sheen, mudando de lado (ja que ele foi o lobisomem-alfa de “Underworld”) e sendo um otimo Aro. Nota-se que ele se divertiu no papel. Os outros Volturi acabam nao tendo grande participacao, exceto Dakota Fanning como Jane, que por sinal, ficou super malvada e otima.

Algo bem curioso foi que durante todo o filme, todo mundo dava gritinhos quando o Taylor aparecia saradissimo na tela, mas quando o Robert tirou a camisa (o que me afetou bem mais que o Taylor andando por ai semi-nu a cada 2 min), ninguem deu um pio. Nao sei se porque estavam esperando um bombadao como o Taylor ou se estavam todos extremamente dentro da cena para fazer qualquer comentario. Gosto de pensar que foi a segunda opcao.

No fim, a relacao Edward/Bella, que eh o ponto forte dos livros, nao chega a ser surpresa, mas eh o ponto forte do filme tambem. O final, meio diferente do livro (apesar de incluir a cena da votacao, que era algo que eu tinha medo que fossem tirar) nao ficou ruim e acaba num momento que vai fazer todos dizerem “ooooooooooun” e deixar o pessoal louco por “Eclipse”.

O que me surpreendeu muito foi que o filme nao me impactou tanto quanto “Crepusculo”. Penso que provavelmente foi porque nao sou mais uma pessoa tao obcecada quanto antes e o fato de ver os livros virando filme nao eh mais novidade.

Obs.: Surpresa para os brasileiros: quando ele recebe a noticia pelo telefone de que o Charlie esta num funeral, vemos o Cristo Redentor iluminado no fundo da janela da casa onde ele esta.

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§ One Response to Pausa do Glastonbury – “Lua Nova”

  • Stiborski says:

    Eu achei umas coisas no Lua Nova tipo muito vergonha alheia. Mas até que eu curti…

    E eu, CEGO, nem reparei no cristo. Acho que preciso ver de novo só por causa disso. -NOT

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