“-so, how do you feel about being dead?” “- I don’t know, my neck hurts.” The Black Keys

December 26, 2008 § Leave a comment

O engracado de morar em Londres eh que a maior parte das vezes tu pode comentar sobre outras pessoas do teu lado sem elas terem a minima ideia. Exemplo: hoje no onibus tinha um guria com um piercing na lingua, que nao parava de girar ele, e a Lucia, que tava na frente dela, ficava fazendo uma cara feia e eu perguntei: “que que foi?” e a Lucia “a guria que ta na tua frente nao para de mexer no piercing, nojento”. Haha. A nao ser que a pessoa tenha um senso zero de filtro mental, ela nunca falaria isso na frente da outra.
Eventualmente, acaba saindo tiro pela culatra, porque tem MUITO brasileiro em Londres. Do tipo, andar na rua e passar por grupinhos falando em portugues. Dai tu faz um comentario e a pessoa ri, dai tu sabe que neh?

Haha.

Enfim, eh um motivo meio futil de se achar engracado, mas nao deixa de ser.

Passar o primeiro Natal longe de casa foi uma experiencia estranha, nao sei se eu nao prefiro passar com a familia do que ir pra uma festa aleatoria. Talvez eu seja caseira demais. Talvez toda a noitada de vamos se acabar bebendo nao seja pra mim.

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I wanna be your last first kiss

December 13, 2008 § Leave a comment

Ele: me diz alguma coisa

Ela: o que?

Ele: algo que tu nao deveria dizer

Ela: eu te amo, pra sempre.

Aos que amam,

Amar fede. Se apaixonar eh lindo e maravilhoso ate perceber que nao presta pra porcaria nenhuma. Alias, presta sim, pra doer. Pra irritar. Pra que depois que tudo de bom passou (porque vai passar, sempre passa), tu ficar te lamentando e chorando pelos cantos e reclamando da vida. Todo mundo faz isso, nao tem escapatoria. Claro, eh bom se apaixonar, eh bom te doar pra alguem, eh bom saber que alguem te ama e eh bom amar alguem com tudo que tu tem, mas isso acaba. Sempre acaba.

E quando acaba tu fica com memorias, sentimentos e quem sabe mensagens no celular ou fotos. Que no fundo acabam sendo nada. Nao adianta acreditar que as pessoas ficam juntas pra sempre, nao adianta acreditar que o amor perdura as diferencas e as distancias e qualquer outra porcaria, porque nao perdura porra nenhuma. Alias, nada perdura, tudo eh efemero. As pessoas sao efemeras. Sentimentos deveriam ser efemeros, deveriam poder ser controlados, deveriam poder ser apagados com um clique de ligar/desligar. Deveria se poder dar um soco na cara de quem se quer dar, ou xingar ate nao poder mais. Ou eh melhor perceber que nao adianta fazer porra nenhuma dessas porque nao vai mudar absolutamente NADA. As pessoas vao continuar fazendo coisas e nao vao levar em conta os sentimentos dos outros, alias, por que deveriam? Elas vao continuar vivendo a vida delas. Elas vao te esquecer. Elas SEMPRE vao te esquecer. Elas vao te ignorar depois de um tempo. Elas vao arranjar outra pessoa pra amar tanto quanto te amaram, nao deixando abertura pra discutir o quao de amor foi isso. Elas vao ter apelidos carinhosos com a outra pessoa. Elas vao marcar coisas. Elas vao ver filmes e ouvir musicas com essa pessoa que elas ouviram/viram contigo. Elas vao fazer coisas que voces fizeram juntos com essa pessoa. Elas vao te decepcionar, sempre. 

E de que adiantou todo o resto? De que adianta uma historia de amor que acaba em nada? Nada.

Amar eh desejar coisas impossiveis. 

Ah, como eu queria ser futil e frivola. Como eu queria poder sair pegando qualquer um que aparecesse na minha frente. Como eu queria ter um controle imenso sobre os meus sentimentos. Como eu queria ser diferente do que eu sou. Como eu queria nao ter etica nenhuma. Como eu queria nao ter escrupulos. Como eu queria ter sexo sem sentido com pessoas desconhecidas e ter certeza de que isso eh suficiente pra ser feliz. Como eu queria nao cativar pensamentos romanticos sobre futuros inexistentes. Como eu queria realmente ter um coracao gelado.

“If at first you don’t succeed… So much for skydiving.” – Henry Youngman

December 3, 2008 § Leave a comment

A finalidade desse blog era postar noticias de Londres, da viagem e dos pensamentos que surgem durante. Me perdoem a falta de acentos, teclados ingleses sao complicados e eu nao consigo usar cedilha e nem acentos direito.

Estando dois dias e meio na cidade, dah pra dizer que ela eh linda, perfeita e como tudo que eu imaginei, ate o frio, as pessoas e o sentimento que eu tenho de andar pela cidade. O que me surpreendeu foi a quantidade de homens (mulheres tambem) lindos que tem por aqui. Sabe aquelas paixoes instantaneas por pessoas que tu nao conhece e ve em situacoes aleatorias, mas que elas simplesmente parecem o tipo de pessoa com quem tu totalmente poderia se apaixonar? Pois eh, tem varias por aqui. E dai puxa a saudade pro que ficou pra tras, as pessoas que ficaram em Porto Alegre e os sentimentos que vieram junto.

Londres eh mais do que eu poderia esperar, viver sozinha nao eh tao complicado (fora a parte financeira) e o deslumbre nao passa, claro que em dois dias e meio, isso ainda ia ser dificil. Eh simplesmente surreal pensar que tu passou a vida inteira querendo conhecer um lugar, querendo ir ate lah e sempre parecendo completamente impossivel e inalcancavel e de repente tu esta lah: na beira do Tamisa, vendo a London Eye toda iluminada na tua frente e com o Big Ben do teu lado direito. Admito que eu quase chorei, aquela sensacao de sonho virando realidade e que ainda nao bateu direito.

Claro, ainda eh uma cidade e ela nao vai ser completamente diferente de tudo o que eu ja vi ou ser o paraiso na terra. Por enquanto eh o meu paraiso na terra, mas eh obvio que eu ja esperava que morar aqui nao seria tao diferente quanto morar em outra grande cidade sozinha, a diferenca fica nas expectativas e na historia da cidade. Nao diria que eu me decepcionei ou que nao eh tudo o que eu esperava, porque eh, mas eu tenho um sentimento indefinido ainda em relacao a tudo isso. Quem sabe mais alem, eu descubra a definicao do que ele eh.

Me lembro sempre da cena final de “Show Bar” (sem comentarios sobre a qualidade do filme), no qual tudo ja esta otimo e todos os sonhos concretizados, quando o mocinho se vira pra mocinha, que veio da cidade pequena para ser famosa e agora ela eh, e pergunta: “entao, como voce se sente quando seus sonhos viram realidade?” e ela ri e responde algo como “nem todos viraram realidade” e beija ele. Parece muito brega, mas nao deixa de fazer parte do sentimento que eu trouxe pra cah.

As pessoas seguem caminhos separados e elas fazem escolhas que nao deveriam ter feito. Eu nao me arrependo de ter realizado meu sonho e ter vindo pra Londres, eh simplesmente sensacional. E eu sei que provavelmente muita coisa na minha vida vai ser definida como pre-Londres e pos-Londres, que muita coisa vai estar diferent quando eu voltar e que eh nesse meio tempo que eu vou perder muitos amigos por falta de contato (mais ou menos como acontece no final do colegio ou da faculdade). Na realidade, mesmo estando aqui com a minha melhor amiga e com quem eu escolhi dividir essa experiencia de vir morar aqui (e que eu nao mudaria mesmo), eu admito que deveria ter trazido mais uma pessoa.

Eu li uma frase hoje do tipo “eu sonho todos os dias que em um lugar diferente do que em que a gente vive, em outro planeta, duas pessoas iguais a gente fizeram escolhas diferentes e ficaram juntos, e isso basta para mim”. Boa frase, meio brega e simplesmente nao faz sentido na vida real, sendo soh uma daquelas frases de efeito, mas mesmo assim, me fez pensar em escolhas. As escolhas que eu fiz e que me trouxeram pra cah. Quais que eu mudaria e quais que eu manteria, quais valeram a pena e quais eu nao pensaria duas vezes em mudar.

Eu definitivamente viria para Londres, mas mudaria coisas do caminho. De repente eh o frio falando e a saudade de casa reclamando, mas eu acho que nao.

Where Am I?

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