“You don’t buy black lingerie unless you want someone to see it.”

November 23, 2008 § Leave a comment

As pessoas deveriam correr atrás do que elas querem, do que elas sonham. Elas não deviam desistir tão fácil ou deixar por menos.

Obstáculos sempre vão existir. Second thougts também. Sempre vai ter alguém que vai te dizer para não fazer aquilo que tu quer fazer, ou que não é seguro, ou que não é certo. Ou simplesmente dizer que não vai adiantar tu fazer, porque não tem motivo. Sempre vão existir pessoas invejosas, mas sempre vão existir pessoas que te apóiam.

Conseguir algo que se lutou para ter é a melhor sensação que eu já experimentei. Não exatamente só falando da viagem, mesmo porque eu ainda não botei meus pés em Londres, mas mesmo assim, saber que tu vai realizar um sonho ou que tu fez o máximo que a tua capacidade humana te permitiu fazer, é gratificante.

As pessoas deviam esquecer das suas preocupações e dos seus preconceitos mais vezes ao dia. Elas deviam ser menos orgulhosas de vez em quando. Ou muitas vezes, serem mais orgulhosas, mas não a ponto de se privarem. Se tu quer algo, tem que correr atrás. Mesmo que quebre a cara, uma, duas, três vezes. Acho que aí que se descobre a graça do negócio todo. Todo mundo devia se apaixonar mais.

Se apaixonar por pessoas, por amigos, por livros, por filmes, por comidas, por lugares, por momentos, por frases, por músicas. Se apaixonar é refrescante, é leve. Apesar de todas as preocupações que surgem de se apaixonar e todas as implicações e problemas que certamente vão surgir, estar apaixonado, ter aquele friozinho na barriga, aquele batimento cardíaco acelerado, aquele sorriso bobo que se reconhece em qualquer lugar. Bah, isso é tão bom! Não entendo porque as pessoas se privam desse tipo de coisa por medo de se magoarem (olha quem falando, muito já fiz isso, mas quando acontece, não dá pra realmente evitar).

As pessoas deviam se permitir maiores momentos de pura felicidade. Sem segundas intenções ou algo do gênero. Apenas conversar, sorrir e rir quando se tem vontade. Deixar de assumir os problemas de uma vida inteira durante o dia todo, mas let go por algumas horas. Aproveitar uma sessão de cinema, uma conversa, uma janta, rever velhos amigos, fazer novos amigos, comer coisas diferentes, fazer opções diferentes.

Acho que de repente eu me sinto feliz simplesmente. Quando se realiza um sonho isso tende a acontecer.

E eu recomendo.

Advertisements

“Flying is learning how to throw yourself at the ground and miss.” – Douglas Adams

November 12, 2008 § Leave a comment

Um passaporte permite ir e vir. Permite conhecer. Permite mudar como tu vê o mundo, mas não deve mudar quem tu é. Um passaporte pode ser uma porta para novos caminhos. Para novas pessoas. Para novos amigos ou novos amores. Um passaporte pode dar a chance de se apaixonar por um lugar e não querer ir embora. Um passaporte não garante companhia. Ele só garante uma viagem, que pode ter sentido ou não. O mínimo que pode acontecer é tu voltar.

Planejar uma viagem é algo que leva horas de planejamento, que é dispendioso, mas que ao mesmo tempo parece não ter preço. Eu tô com aquele sentimento que eu tinha quando tinha decidido seguir carreira como diplomata, de que eu vou acabar morrendo solteira e sem filhos, porque não tem como fazer tudo o que eu quero fazer e ainda ter uma família. Ir aos lugares que eu quero e fazer todas as faculdades que eu quero, acho que eu preciso de mais uns anos de vida além da média humana. Eu não me sinto privada de nada ao fazer uma escolha dessas, tem gente que prefere a segurança do lar, eu acho que prefiro a amplitude do mundo. (que brega!)

Tá, essa post foi aleatório.

“Give a man a fire and he’s warm for the day. But set fire to him and he’s warm for the rest of his life.” Terry Pratchett

November 1, 2008 § 1 Comment

Ela andava em passos lerdos e cambaleantes, segurando uma garrafa de tequila na mão esquerda e uma pequena bolsa lilás na direita. A garrafa já estava vazia e a bolsa também, pelo menos de dinheiro.

Mas ela não era assim normalmente. Amanda era, na maior parte dos seus dias, uma pessoa sensata e responsável. Quem a via na rua desse jeito não daria crédito para o seu diploma com honras na faculdade em literatura e muito menos para a sua inteligência. Nesse exato momento ela parecia uma bêbada qualquer, que, por algum motivo desconhecido, caminhava pela rua abraçada na sua garrafa de tequila, tentando abrir a bolsa para acender um cigarro recém comprado para demonstrar a sua nova rebeldia com o mundo.

E nesse exato momento, um rapaz dobrou a esquina, acompanhado de um amigo, rindo como pessoas levemente afetadas pelo álcool depois de uma noite divertida. O rapaz, Filipe, e seu amigo conversam animadamente, enquanto Amanda luta para abrir a bolsa com a mão que segura a garrafa de tequila. Ela estava a travar uma luta interna entre largar a garrafa no chão ou abandonar o desejo falso de fumar um cigarro. Optou por colocar o gargalo da garrafa na boca e segurar com os dentes, enquanto abria a bolsa numa manobra arriscada que poderia acarretar na queda e desperdício da tequila.

Filipe reparou na jovem morena de cabelos quase curtos e repicados. Ela não era bonita, era simplesmente normal. O que chamava mais atenção na sua aparência era o corpo, marcado por uma blusa verde quase transparente, que deixava o seu ombro esquerdo exposto, revelando uma pele lisa, uma tatuagem e omoplatas extremamente atraentes. Filipe tinha uma queda por omoplatas bonitas.

“Ei!”, ele disse, se dirigindo a ela, que logicamente decidiu ignorar. Maldita gente metida.

“Ei moça!” ele tentou pela segunda vez, se aproximando devagar, como que para testar se ela não ia sair correndo ou tirar um spray de pimenta da bolsa. Ela não o fez, apenas ficou com a cabeça abaixada, se concentrando em pegar os cigarros, o isqueiro e segurar a garrafa com a boca. Mesmo sendo mulher e supostamente conseguindo fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, o álcool retardava essa habilidade.

“Espera, eu te ajudo.”, ele se aproximou e puxou a garrafa levemente da boca de Amanda. Um fio de baba saiu junto. O amigo de Filipe riu e manteve seus pensamentos nem um pouco inocentes para si sobre o fato dela conseguir manter por tanto tempo o gargalo na boca.

“Obrigada, mas não precisava.” Amanda respondeu, ríspida. No entanto, ela não podia negar que agora ficara mais fácil pegar os cigarros e acendê-los. Felipe foi mais rápido e tirou do bolso o seu isqueiro, acendendo o cigarro para ela. Amanda revirou os olhos, pensando que essa cantada tinha sido inventada por Humphrey Bogart e tragou, tossindo, como boa fumante de primeira viagem.

“Obrigada.” Ela respondeu.

“De nada.” Ele disse, sorrindo e guardando o isqueiro.

Ela parou para reparar no gentil rapaz. Ele era loiro, não muito mais alto que ela, com leves rugas em volta dos olhos e um ar cansado. A sua barba estava por fazer, mas isso não o deixava feio. Amanda tinha uma queda por barba por fazer.

“Então, o que uma jovem faz na rua a essa hora da noite?” ele perguntou, tentando ser gentil e fazer ela falar. As suas omoplatas eram realmente lindas, ele pensou.

“Bebendo. O que mais?”, ela respondeu, puxando a garrafa da mão dele e tomando um gole entre duas tragadas de cigarro.

“E você precisa de alguma ajuda para voltar para casa? Está ficando tarde…e perigoso”. Ele se ofereceu, ela realmente tinha omoplatas bonitas e o seu impulso de macho alfa de proteger damas em perigo aflorou.

            Infelizmente para ele, Amanda odiava homens protetores. Felizmente para ele, ela estava muito bêbada para perceber isso.

            “Eu estou indo, eu moro a umas quatro quadras, ali na Nilo.” Ela respondeu, desistindo de fumar o cigarro e jogando ele no chão, apagando com seu salto, de um modo que deixou Felipe com mais vontade ainda de levar ela em casa.

            “A gente te acompanha”, ele falou, gesticulando para o amigo.

            “Obrigada.” Ela respondeu, bebendo um gole final da tequila e largando a garrafa ao lado de uma lata de lixo. O salto estava incomodando e o álcool fazendo efeito, ou talvez fosse a sua falta de equilíbrio natural, mas de qualquer modo Amanda tropeçou e caiu de quatro no chão.

            “Caralho.” Ela disse, reclamando. O sapato era o único de salto que ela ainda tinha depois de ter começado no emprego novo. Fora um presente da sua irmã.

            “Acho que a culpa não é só do salto.” Filipe disse, rindo levemente e equilibrando Amanda de novo.

            “Provavelmente.” Ela respondeu. Ia levar ele para casa e transar com ele até ter todos os orgasmos que quisesse. Estava decidida.

            O trio continuou andando devagar.

            “Então, você tem nome?” ela perguntou, usando a sua voz supostamente sedutora, mas que na realidade parecia mais voz de bêbada.

            “Filipe, prazer. Esse é o André.”

            “Eu sou Amanda.” Ela sorriu e estendeu a mão. Sabia ser charmosa quando queria, fazia parte do seu emprego agradar as pessoas para conseguir o que precisava.

            “Muito prazer, Amanda.” Filipe sorriu e pensou em como ela tinha um sorriso bonito. Lembrava a sua ex-namorada. Que não deixava de ser o motivo da saída para beber hoje de noite. Ele sorriu. Ironias da vida.

            “Semana difícil?” ele perguntou, apontando para a garrafa de tequila ao lado da lixeira lá atrás.

            “Você poderia dizer isso, eu suponho.” Ela respondeu, lembrando dos últimos acontecimentos da sua vida, que dificilmente poderiam se encaixar na última semana apenas.

            “Ahn.” Ele respondeu. Nunca sabia o que dizer quando as pessoas largavam frases enigmáticas que eram mais para elas mesmas do que para o ouvinte.

            “Que eloqüente.” Ela respondeu, com seu sarcasmo pesando. Decidiu acender outro cigarro.

            “Eu nunca sei o que dizer para pessoas misteriosas que eu acabei de conhecer na rua.”

            Ela riu. “Isso acontece com freqüência?” perguntou, enquanto acendia o cigarro.

            “Não muitas na realidade, ou a maioria não é interessante a ponto de eu realmente querer saber o que elas estão dizendo.” Ele respondeu, sacudindo os ombros. Ela sabia ser irritante, ele pensou.

            “E você quer saber o que eu estou dizendo?”

            “Seria interessante.” Ou não.

Where Am I?

You are currently viewing the archives for November, 2008 at "He didn't discover the world and it's people, he created them.".